quinta-feira, 28 de março de 2013

MORADORES DE RUA: UMA PROPOSTA PARA LIDAR COM A QUESTÃO.

Publicado em 20/07/2012

Meu Irmão, Minha Irmã,
De um debate na rede social Facebook, suscitado após a publicação da foto acima*, surgiu em mim o desejo de discorrer sobre a situação dos moradores de rua.
Uma medida da política de “Choque de Ordem” do atual prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), tem sido instalar pedras sob alguns viadutos, o que vem ocorrendo desde 2010. Tais pedras são colocadas para que OS MENDIGOS NÃO DURMAM NAS RAMPAS. Ou seja, são verdadeiras RAMPAS ANTI-MENDIGO. A meu ver, uma ruindade com a população de rua...
Digo ruindade porque o poder público no Brasil não dá a o tratamento adequado à questão. O assunto é sempre tratado como “coisa para abrigo”, quando a realidade é bem diversificada e de soluções igualmente diversas.
Colocar pedras nos lugares em que eles se abrigavam das chuvas é demais. Já conversei muito com moradores de rua quando fazia um trabalho voluntário pela Igreja Católica e pude ver que ali há pessoas com as histórias mais diversas possíveis. Nem todos estão lá porque querem. Por isso digo que é uma ruindade fazer isso com pessoas que nem sempre estão lá porque querem, como se imagina.
Não estou preocupado com a calçada ou com a estética da cidade, como parecem estar nossos governantes, mas sim com o ser humano que está lá e carece de políticas públicas sérias e sem paternalismos. Ou seja, políticas públicas de emancipação e resgate da cidadania, e não paliativos paternalistas que não dão a estas pessoas a dignidade de viverem “por si”.
Aliás, é preciso entender previamente o seguinte: o perfil da população de rua é muito diversificado. Há os que estão lá para evitar gastos com passagens, os que estão por necessidade, os que estão por terem sido expulsos de casa, os que estão porque querem, ou por conta de seus vícios, etc. Para cada caso, há de se dar um tratamento específico e não fazer o que tem sido feito: encaminhar a pessoa a um abrigo. Até porque, como se vê, nem todos os moradores de rua estão lá por falta de abrigo. Não podemos tratá-los como um todo único, haja vista as diferentes motivações que os levaram a estar lá. Até porque a precariedade tanto estrutural quanto de serviços de ressocialização nestes abrigos é notada e assumidamente precária.
Sabemos que o ideal é não haver população de rua, mas daí a fazer isso é de uma falta de humanidade desmedida, além de não resolver o problema destes seres humanos que vivem pelas ruas da cidade.
Urge que a Secretaria Municipal de Assistência Social trate da questão de maneira séria e individualizada. Do contrário, nunca resolveremos a questão da população de rua, que é vista diariamente, mas que nunca é lembrada quando da execução das políticas públicas. São seres humanos que carecem de direitos humanos e que nunca os têm, talvez por não “darem votos”...
Colocar pedras não é, certamente, o caminho para afastar as pessoas do local. Prova disso é o viaduto da entrada da Ilha, na Av. Brasil, em que tais pedras também foram colocadas, mas a população usuária de crack ainda ocupa os espaços, com pedra e tudo. Acha que estou mentindo? Dê uma passada lá agora e confira.
A meu ver, o caminho para lidar com os excluídos não é nem nunca será a exclusão, mas sim a inclusão, mas uma exclusão que cumpra as suas necessidades básicas e que também os prepare para as “necessidades” futuras, sempre de maneira individualizada, respeitando a história e as motivações de cada um para transformá-la de “vontade de morar na rua” em “vontade de ressocialização”. Do contrário, continuaremos fazendo dos abrigos locais de “temporada” para estas pessoas, e não o que eles deveriam ser: o local do início da sua emancipação como indivíduo e como cidadão.

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